Ramy Fischler

A Maison & Objet de setembro consagrou o belga radicado em paris. Dono de um espírito livre, é fortemente influenciado pelo cinema e exerce o design como um verdadeiro diretor de filmes.

Os limites entre as expressões artísticas são cada vez mais tênues. Sabiamente, a mostra francesa Maison & Objet captou este zeitgeist e consagrou o talento de Ramy Fischler como Designer do Ano. Ele está entre as mentes brilhantes que antecipam os comportamentos de amanhã – com um olhar colaborativo, desloca a projeção de futuro para a etapa preliminar em seu processo criativo. Essa perspectiva faz com que Fischler enxergue seus projetos como ficção, desfocando os limites entre as disciplinas para criar objetos e espaços híbridos. Com ele, o design ganha dimensões cênicas, um quê de cinema. Não por acaso, em 2018, boa parte do seu tempo foi dedicada à cenografia de uma versão de Hamlet, que deve estrear em dezembro na L’Opéra Comique de Paris. Mas antes de tudo, Ramy Fischler nasceu na Bélgica e se mudou para a capital francesa em 1998. Na École Nationale Supérieure de Création Industrielle em Paris, onde se formou em design em 2004, desenvolveu o gosto pela experimentação. Trabalhou com o francês Patrick Jouin e explorou as possibilidades do design até estabelecer seu estúdio em 2011. Desde então, sua obsessão tem sido nunca se repetir e questionar o valor da função, refletindo sobre a razão e o uso de cada projeto. Mesmo em trabalhos conceituais, tudo precisa fazer sentido. Alguns trabalhos recentes ilustram a abordagem e diversidade do estúdio, como o dispositivo de dormir Aura, a geladeira inteligente NU ! (que repensa a pausa para almoço sem desperdício), a inaugural Hermès Perfumery em New York, os móveis sob medida para o chef Thierry Marx, os escritórios do Twitter em Paris e a primeira incubadora de filantropia, vencedora da competição Réinventer Paris. Original até na hora de construir seu site (rfstudio.fr/en), abre com um texto-manifesto: “Iniciamos cada projeto com uma nova perspectiva, sem preconceitos, e nos engajamos ativamente no desenvolvimento e diálogo entre os diferentes campos do design, da cultura, novos usos e projetos específicos de propósitos”. Ele assume a autoria sobre suas obras e de sua própria narrativa – como faria um bom diretor de cinema.

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