Sophia Romcy

POR SOPHIA ROMCY

Um dos nomes mais celebrados da arquitetura local – e com projeção E reconhecimento em todo o Brasil -, Sophia Romcy nos fala, a seguir, sobre a decisão de ficar numa ponte aérea para Miami e os desafios de manter-se lá e cá.

Na sala, além do primoroso trabalho de volumetria no teto – uma das marcas da arquiteta -, a curadoria do mobiliário rouba a cena, com ênfase para peças como o buffet Burle, do designer gaúcho Luia Mantelli, na cor vermelha, trazendo personalidade e vibração (Ouvidor Interiores). Outro ponto de destaque é o revisteiro Teca, do Jader Almeida (Galpão D). Destaque para o recanto com sofá curvo (Genice Brandão Atelier), que convida para uma boa conversa. Para arrematar, obras de arte, tapetes (Adroaldo Tapetes do Mundo) e o uso pontual de papel de parede (La Vinci).

Dona de linguagem estética sofisticada e singular, Sophia galgou seu espaço no mercado local e nacional com muita dedicação, energia e sempre se reinventando. “Sou um ser em constante redescoberta, que não teme mudanças”, define. A mais recente delas foi alçar voos ainda maiores e estabelecer uma segunda residência em Miami, nos Estados Unidos. Além dos inúmeros desafios pessoais que a nova fase trouxe, ela também encarou com coragem e otimismo as transformações no âmbito profissional. “Já estava com projetos em andamento lá fora antes mesmo de montar residência em Miami, o que influenciou bastante para essa decisão. Tenho clientes queridos espalhados por todo o Brasil e agora chegou o momento de ir além”, conta ela, que acredita que o mundo se tornou pequeno com a globalização e os avanços tecnológicos. “Tudo ficou muito mais fácil de acompanhar”. Apesar das diversas semelhanças – como o clima tropical em boa parte do ano – as duas cidades guardam algumas diferenças. Entre elas, a arquiteta destaca as questões urbanísticas e a segurança, o que também tem sido um atrativo, especialmente para as crianças, que podem brincar e desfrutar o que Miami tem a oferecer com muito mais tranquilidade. Sophia segue com residência e escritório em Fortaleza, utilizando entre a ponte aérea para matar a saudade do marido e dos filhos, que estão morando lá. “A vida é feita de decisões e escolhas e essa nova fase em nossas vidas foi algo pensado e planejado com a família toda. São novas oportunidades, novos horizontes e, principalmente, uma nova vivência para todos nós. O país é muito especial para mim, fui várias vezes durante toda minha vida e cheguei até a morar lá por um tempo. Poder dar essa mesma oportunidade para meus filhos é algo indescritível. Um sonho!”. A seguir, em uma entrevista realizada online, ela nos fala mais sobre o assunto e também sobre o papel da tecnologia nesses novos tempos.

Revista Ambientes: Depois de construir a vida e a carreira no Brasil, você escolheu os EUA como segunda morada. Como foi essa decisão e a escolha de Miami como nova casa?
Sophia Romcy: Continuo residindo em Fortaleza. Meu marido e meus filhos estão morando lá por um período. Utilizo a ponte aérea uma vez por mês, cumprindo todos os compromissos no Brasil e EUA.

R.A.: Como ficou a dinâmica do escritório?
S.R.: O escritório permanece normalmente no Brasil, com todo cuidado e esmero que sempre tivemos com todos os projetos. Existe um cronograma de atendimento, um gerenciamento de obra e essa assistência permanece mesmo à distância. Conto com uma equipe de profissionais em sala técnica capacitadíssimos e, enquanto estou fora, mantemos contato diariamente.

R.A.: E por lá, você pretende expandir sua atuação nessa nova praça ou irá explorar novas possibilidades?
S.R.: Já estava com projetos em andamento antes mesmo de me mudar, o que influenciou bastante também para essa decisão. A ideia é sempre aumentar o leque de possibilidades, aqui e lá.

R.A.: Quais são as maiores semelhanças e diferenças dos dois países no que se refere a estilo de vida, arquitetura e urbanismo?
S.R.: As maiores semelhanças são as tendências que, atualmente, chegam a todo lugar em um curto intervalo de tempo. Já o que considero como grande diferença é a questão urbanística, a segurança, a tranquilidade de se viver de uma maneira mais simples, com a possibilidade das crianças brincarem na rua, por exemplo. As ferramentas de uso público são, além de muito bem cuidadas, muito seguras e usuais. São diferenças de vivência mesmo.

Na cozinha (Idealize Ambientes), pensada nos mínimos detalhes para o casal que ama cozinhar e receber, integração e praticidade foram palavras-chave. A ilha central funciona tanto como armário, como de apoio para as refeições. Os detalhes, a exemplo do banco e dos pendentes, imprimem um toque moderno à proposta, pontuada com a presença clean e atemporal do branco. A obra foi executada pela Idealize Engenharia.

R.A.: Você tem um estilo muito singular e bastante detalhado, a exemplo deste projeto. Que conceito norteou e quais são as características mais marcantes dessa proposta?
S.R.: O projeto foi feito para atender ao gosto do casal com duas filhas, que desejava para seu lar para ser curtido em família. Por isso, privilegiei um layout fluido e integrado. O ponto de partida foi um reestudo total da planta original e, a partir daí, busquei imprimir no décor sofisticação, conforto, praticidade e uma identidade marcante.

R.A.: O que você destaca nesse projeto?
S.R.: Um detalhe que trouxe uma personalidade peculiar ao projeto foi o uso de muitas cores, artes e design.

R.A.: Você é bastante ativa nas redes sociais. Qual a importância da ferramenta no quesito profissional?
S.R.: Uso como uma forma de comunicação entre profissional e seguidores e entre profissional e profissionais. Para mim, tem sido muito importante, pois demonstra a conexão do que está sendo feito lá e cá de uma forma homogênea. Mas confesso que, nesse momento, tenho até revisto um pouco a quantidade de inserção nas mídias digitais, porque acredito que está tendo uma overdose, então, acho importante estabelecer um uso mais equilibrado. Vale quando você tem o que comunicar e acrescentar a um público ou a um nicho, mas, acredito que houve, de certa forma, uma banalização, com um grande fluxo de informações muitas vezes desnecessárias. Isso acaba ficando cansativo. Muita gente dando opinião sobre tudo o tempo todo, sem tanto embasamento, sem checar informação… No meu caso, como disse, tenho tentado cada vez mais buscar um equilíbrio entre on e off.

Boiseries e a volumetria no teto trazem uma atmosfera clássica. Na paleta, os tons de cinza recebem a companhia do marinho, em um diálogo harmonioso, onde a leveza e o aconchego prevalecem. O luminotécnico cria focos de atenção, valorizando as diferentes cenas, enquanto as persianas (Agatek) regulam a entrada da luz natural.
0
Total Page Visits: 396 - Today Page Visits: 1

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *