Talento Natural

POR FRANCISCO ZANAZANAN

Nascido em Fortaleza em 1972, o artista quebrou barreiras, enfrentou as adversidades e revelou-se um dos nomes de mais destaque das artes plásticas no Ceará. Autodidata, Francisco Zanazanam transformava em arte tudo que via, tirando partido de qualquer tipo de material.

Na véspera de seu aniversário de 43 anos, Francisco Zanazanam saiu de cena para sempre, deixando um legado artístico inesquecível. Um talento espontâneo que, precocemente, foi brilhar nas estrelas, sua grande paixão. “Ele trabalhava com condições muito rudimentares, com o que tinha à mão. Era um material muito pobre, mas ele tinha o dom de transformar isso em algo interessante e bem resolvido”, explica José Guedes, artista plástico, amigo e admirador da obra de Zanazanam.

Seu trabalho ganhou notoriedade quando, aos 20 anos, em 1992, ele recebeu o prêmio no Salão dos Novos Fortaleza, evento que revelava talentos das artes no Ceará. A obra apresentada utilizava relevos de madeira, descritos por ele mesmo como “toscamente recortados”, e inscrição em grafismos. Logo, o jovem artista da periferia chamou a atenção e causou impacto em um ambiente, até então, visto como elitista. Zanazanam foi premiado sete vezes no Salão de Abril, sendo um dos sete homenageados na mostra especial 70×7, que marcou os 70 anos de história do evento mais importante das artes plásticas do Estado. Conquistou ainda muitas outras honrarias em feiras e exposições de arte mais competitivas do país, como o Salão da Bahia e o Arte Pará. Em 2005 e já consagrado no segmento, o trabalho do artista cruzou o atlântico, quando foi convidado pela Oriel Mostyn Gallery, no País de Gales, para realizar residência artística na galeria. “Tinha um senso estético acima da média e sua arte minimalista, silenciosa e pura me inspira e emociona sempre”, afirma o arquiteto Roberto Pamplona Jr., que possui um belo acervo das obras de Zanazanam. Originalidade e pessoalidade eram suas marcas registradas. No ateliê que manteve até o fim de sua vida, em Caucaia, Zanazanam criava novos mecanismos, experimentando técnicas que pudessem driblar a falta de recursos para os materiais. Gostava de falar que perdia o controle na experimentação técnica, o que, inesperadamente, o levava aos seus melhores resultados. Hologramas, luzes e sombras – vindos de sua paixão por mapas e pelo espaço intergaláctico-, capazes de criar ilusões de ótica, faziam parte de suas obras, que sempre uniam, com maestria, a arte e a ciência. “Ele deixou uma contribuição muito valiosa para o universo da arte”, contempla o artista Vando Figueiredo.


O jovem artista da periferia chamou a atenção e causou impacto em um ambiente, até então, visto como elitista


“Era um artista irrequieto, inventivo, sofisticado e inconformado, sempre buscando respostas para as questões de seu tempo. Nunca se acomodou e sempre avançou dentro de uma linha muito coerente. Teve uma vida curta, mas forte. Uma pena, por que ainda tinha muito o que oferecer…”, comenta o artista plástico José Guedes. Apesar de breve, o talento nato e o trabalho genial de Zanazanam estabeleceram novos parâmetros no segmento das artes plásticas de nosso Estado.

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