A Sete Chaves

De guardiões de tesouros, os cofres passaram a ser as próprias jóias da
decoração. Esses objetos repleto de história atualizam suas formas e funções para assumirem versões luxuosas, que mantêm seus segredos bem guardados.

Cofres, arcas e baús eram móveis de guarda, utilizados para armazenar documentos, dinheiro, ouro, pedras preciosas, pratarias, enxovais, heranças e outros tantos valores, além de proteger memórias e segredos. Durante os séculos XV e XVI, na forma de baús, eram utilizados pelos piratas e navegadores que desbravavam o mundo, revelando uma sociedade marcada por mudanças e constantes deslocamentos nas viagens de navio ou por terra. Pouco a pouco, especialmente no século XVIII, o objeto foi se fixando no interior das casas. Ganharam estabilidade e novos ornamentos, passando a contar com pés, gavetas e fechaduras de segurança. Quem poderia imaginar que essa peça do passado retornaria com tudo, em pleno século XXI? Os cofres continuam a trazer um imaginário ligado à solidez, segurança e resistência. A novidade é que o luxo também transparece em seu exterior. As superfícies polidas em latão banhado a ouro tomam emprestado o brilho dos metais nobres, os pequenos detalhes lembram as delicadas engrenagens das joias e seu aspecto utilitário se expande para dar lugar a uma experiência de exclusividade e beleza. Como nestes exemplares da marca portuguesa Boca do Lobo, criada em 2005 pelos designers Amândio Pereira e Ricardo Magalhães na cidade do Porto. Com inspirações diversas que vão do surrealismo às antigas caixas de especiarias indianas, estes exemplares também trazem interiores impecavelmente organizados, com compartimentos para joias, relógios, licores preciosos e até umidificador para charutos. São peças que jogam com a dualidade de revelar e esconder, reverenciam as antigas narrativas sobre este objeto e mantêm alguns segredos fascinantes muito bem guardados, atiçando a imaginação.

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