Arte Sustentável

POR EDUARDO ELOY

A sustentabilidade sempre esteve presente na vida de Eduardo Eloy, que sempre fez questão de unir duas paixões ao longo da carreira, arte e reciclagem. O resultado é um conjunto de obras magníficas, que lhe renderam, inclusive, reconhecimento internacional.

As obras do mais recente trabalho do artista da série Parque Gráfico – Diversão Total, são feitas por meio de reciclagem de materiais aliada a técnicas de impressões, grafite, pintura e desenho sobre papel. O resultado são obras cheias de cor e personalidade.

Eduardo Eloy é um artista plástico apaixonado por cultura e sustentabilidade. Desde cedo entusiasmado com a possibilidade de unir arte e reciclagem, ele deu início à sua rica formação na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, depois no Museu de Arte Moderna e, por último, na Fundação Calouste Gulbenkian, todos no Rio de Janeiro. Foi assim que ele começou a desenvolver trabalhos na área de desenho, gravura e pintura, ganhando vários prêmios nacionais. Porém, o sucesso não o fez esquecer sua paixão, a reciclagem. Sempre preocupado com o meio em que vive, o artista passou a fabricar papel artesanal e decidiu compartilhar seus conhecimentos com outros artistas, antenados como ele, sobre o mundo sustentável. Pensando nisso, fundou e coordenou a Oficina de Gravura e Papel Artesanal no Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará, onde desenvolveu pesquisas e criou técnicas para a reciclagem de papel e fibras vegetais. A iadeia cresceu, e o desejo em transmitir seus vastos conhecimentos sobre reaproveitamento de materiais na arte atingiu a área de formação cultural, quando Eduardo foi trabalhar com jovens de comunidades carentes, junto à Secretaria de Cultura do Governo do Ceará. Para ele, a força do seu trabalho se constrói nas relações que o artista trava com o outro, com os objetos e com o meio. Com uma vivência artística tão extensa, voltada para o tema da sustentabilidade, não é de se admirar que em seu mais recente trabalho, intitulado Parque Gráfico – Diversão Total, Eduardo Eloy retomasse a questão. O artista compôs o material utilizando lixo físico e, curiosamente, lixo digital, coletados em diferentes lugares.

Técnica mista s/b papel, 2012 (65x50cm) Acervo do Itamaraty – DF.
Técnica mista s/b papel, 2012 (65x50cm) Coleção Paolo Carnevali – Itália.

Para Eduardo, a força do seu trabalho está na relação que o artista trava com o outro, com os objetos e com o meio.


O título do projeto também remete à diversão propiciada nas trocas de interações entre ele e sua equipe no decorrer do processo. Essa iniciativa começou no Brasil, há três anos, e, em setembro de 2013, lhe rendeu um convite do Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) para desenvolver o mesmo trabalho em Buenos Aires, no Programa Internacional de Residências Artísticas na Fundacion – Ace. A realização do projeto se deu em três etapas: recolhimento, aproveitamento e transformação do material por meio de procedimentos experimentais, cheios de simbolismos. O resultado foi um conjunto de obras que parecem dizer sobre várias temas. Cada parte do trabalho – desenho, cor ou pintura -, partiu de um fragmento da reciclagem, que foi unido a outro e finalizado com um processo de técnica mista. No fim, os elementos se conectam em um único bloco, formando uma fantástica obra de arte, que provoca situações de vasta experiência estética. O processo retrata, de certa forma, o quão eclética pode ser a cultura de pessoas tão próximas entre si e quantas trajetórias diferentes se mesclam em um pequeno espaço físico. Eduardo define essa construção como uma grande troca entre ele e seus colaboradores, que começa dentro de seu próprio ateliê, indo para ruas, oficinas e espaços, todos envolvidos nessa grande coleta de objetos-rastros. Nos instantes entre as coletas e as relações, Eloy se considera propositor, comunicador e receptor de ideias e ações que encontram lugar numa rede formadora de imagens repleta de uma rica história de trocas e buscas.

Técnica mista s/b papel, 2012 (65x50cm).
Técnica mista s/b papel, 2012 (65x50cm) Acervo do Itamaraty – DF.
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